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No sistema nervoso central, a temperatura corpórea é mantida em torno de 37 o C, com variações de 0,6 a 1,1 o C durante o dia. Usualmente, define-se como febre a temperatura retal igual ou superior a 38 o C, pois a temperatura nesse local apresenta a melhor correlação com a temperatura central. Medidas de temperatura tomadas em outros locais, como boca, axila, tímpano ou pele, têm maiores variações em relação à temperatura central e são menos confiáveis.

Apesar disso, no Brasil e em muitos outros países a temperatura é tomada na axila e o conceito de febre é firmado para temperatura axilar acima de 37,3 o C.

Febre não é uma doença e sim um sintoma, podendo aparecer em várias situações sendo  indício de mecanismo de defesa do corpo. Muitos fatores como: nascimento dos dentinhos, reação após alguma vacina, gripes e infecções, podem ocasionar o sintoma.

Deve ser distinguida da hipertermia, na qual há aumento da produção ou diminuição da perda de calor. Pode ocorrer quando há excesso de calor ambiental, incluindo excesso de agasalho, exercício físico intenso, desidratação.

A febre vem dividida em 3 estágios:

  • Leve: Temperaturas de 37,8ºC  até 38,5ºC, com o estado geral da criança satisfatório.

  • Moderada: temperatura de  38,5ºC a 39,4ºC e estado geral pouco abatido, indisposto.

  • Alta: temperatura  de 39,5ºC com estado geral mais comprometido, criança gemente, muito sonolenta.

A necessidade de tratamento da febre é polêmica, pois a resposta febril está associada a aspectos positivos, como o aumento da migração de neutrófilos e a produção de citocinas, que desempenham relevante papel na resposta imune para a eliminação de vírus e bactérias.

Portanto, do ponto de vista médico, as indicações para combater a febre são bastante restritas, indicando-se antitérmicos apenas quando a temperatura alta é motivo de desconforto ou risco para a criança.  

 Além disso, hoje se sabe que as convulsões febris, embora indesejáveis, não acarretam o risco de lesão cerebral; ainda mais, as crianças de mais de um ano de idade e que já passaram pelo teste de ter algumas febres acima de 38,7 o C e não tiveram convulsão dificilmente estão expostas a esse desagradável evento.  Outra grande preocupação dos pais é a convulsão. A convulsão febril é um entidade benigna que atinge crianças na faixa etária de seis meses a três anos e GENETICAMENTE PREDISPOSTAS.

Está associada a elevação súbita da temperatura. Além disso, hoje se sabe que as convulsões febris, embora indesejáveis, não acarretam o risco de lesão cerebral; ainda mais, as crianças de mais de um ano de idade e que já passaram pelo teste de ter algumas febres acima de 38,7 o C e não tiveram convulsão dificilmente estão expostas a esse desagradável evento.

Oriento que os pais TENTEM não medicar logo as febres leves, ou seja, menores que 38,5 o C. Seguem algumas dicas que podem ajudar a baixar a febre naturalmente:

  • Retirem agasalhos e promovam um ambiente ventilado. Pode-se recorrer a banhos mornos de imersão por 10 a 20 minutos, deixando-se a água esfriar lentamente. Esse processo só deve ser utilizado se trouxer evidente conforto para a criança e não causar mais problemas para os pais. A água fria pode causar calafrios e tremores que, além do desconforto, aumentam a temperatura.

  • Não colocar a criança febril com convulsão na banheira.

  • O álcool pode ser absorvido pela pele e causar toxicidade sistêmica e, por isso, nunca deve ser utilizado.

  • Convém estimular a criança a tomar líquidos (água, chá, suco, refrigerante) para evitar a hipernatremia, a qual aumenta a febre.

  • Colocar toalhas molhadas em água fria na testa; nuca; axilas e virilha.

(Se temperatura mesmo com tudo isso não abaixar, é recomendado ligar ao pediatra para saber se a indicação mais adequado seja medicar o bebê.)

E como tratar a febre na homeopatia?

Obviamente, se permitirmos; que o próprio corpo se defenda do agente agressor não medicando a febre, seria ótimo, mas como pediatra e mãe, sei o quanto é difícil deixar a febre acontecer.

Costumo trabalhar com a tolerância dos pais primeiramente. Se aos poucos esses pais perceberem que podem tolerar um pouco da febre, se sentirão mais seguros. Então costumo orientar que assim que perceberem que seu filho está quente, providenciem a medição de temperatura e então OBSERVE.

Alguns dados da febre valem ouro para um Homeopata, afinal muitos remédios de fundo são escolhidos durante a febre.

  • Há diarreia e vômitos?

  • A criança apresenta olhos fundos, encontra-se mais chorosa que o normal, e faz pouco xixi?

  • Quanto atingiu a temperatura (máximo da febre)?

  • A pele estava quente pelo corpo todo?

  • Houve mudança na coloração da pele?

  • Transpirava? Transpiração fria ou quente? Em que parte do corpo? (ATENÇÃO: A

transpiração deve ser avaliada antes do antitérmico fazer efeito)

  • Houve mudanças no comportamento? Sonolento? Agitado? Pedia colo? Pediu pra ficar

sozinho?

  • Houve mudanças drásticas no apetite? Sede?

 

Considerando sempre, entretanto, a administração do antitérmico, orientada por um profissional, evitando a automedicação.

 

© 2018 Dra. Cláudia Carneiro | Pediatria e Homeopatia

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